Protocolo mandruva

Comer é maravilhoso, mas perder o controle do que entra pela boca nem tanto. Depois da quimioterapia ganhei 10 kg, em uma mistura de inchaço, menopausa e é claro, comida a mais e exercício de menos.  Passei quase 6 meses sem me alimentar de forma prazerosa, então depois da quimio meu primeiro pensamento foi: ” vou comer o mundo agora!”. Entretanto, fui alertada (mais precisamente me deixaram cagando de medo) da gravidade que é o casamento do câncer com o sobrepeso e a obesidade. Meu caso se enquadrou no sobrepeso e precisava, para ontem, chegar no peso e na porcentagem de gordura saudáveis, para não aumentar os riscos de recidiva. E como não quero ter câncer nunca mais, tudo que está ao meu alcance para evitar, eu faço. Ter um peso saudável vai garantir que nunca mais tenha câncer? Definitivamente não, mas sei se que andar na linha, pode dificultar que ele volte a se manifestar.

mandruva

Mandruva comendo só coisa verde, igual a nós!

Então, após uma vida de luta contra a vontade descontrolada de comer, me agarrei a nutricionista e nos exercícios e fui a luta. Estou desfalecida de tantos exercícios? Sim. Passo fome? Não. Vontade de comer? Muita. Como berinjela, enquanto os amigos comem batata frita? Sim. É sofrido perder peso? Sim. Entretanto, ser magro e saudável é preciso.

Com muita ajuda e motivação de profissionais, estabelecemos metas reais e sem tantos sofrimentos. Escolhi atividades físicas nas quais eu não iria desistir no segundo dia ou morrer para ir, sugiro que todos façam o mesmo, se esforçar sem se crucificar. Pelo meu metabolismo de lesma, devido a menopausa e questões genéticas, eu faço tudo certo e meu máximo é 1kg por mês, o que torna o desafio mais dificultoso, todavia, quando penso em me afundar em um pote de nutella, lembro do que passei com o câncer e opto pela fruta com aquela dor na alma.

Em todo esse processo de perda de peso fiquei viajando na maionese e cheguei a conclusão pessoal que essa história de gordinho saudável, não rola. Meus exames de colesterol e tudo mais estavam lindos, mesmo com 10kg a mais e isso não fazia de mim um ser humano saudável. Se comer o mundo e não fazer exercício for sua opção, ok, mas esteja consciente das consequências a curto e longo prazo. Eu também tinha certeza que nunca ia ter nada grave, olhem no que deu. Será que quer mesmo “pagar para ver” a desgraça acontecer? Pense nisso.

Alguns diagnósticos de câncer são exclusivamente por questões genéticas e esses é difícil de evitar, contudo alguns como o de pulmão, por exemplo, podem ser evitados pelo cultivo diário de hábitos saudáveis.

Deixando questões estéticas para lá, ter um peso e porcentagem de gordura saudáveis, só vão te trazer benefícios para saúde, auto estima e qualidade de vida.

Mas o que os médicos e pesquisadores dizem sobre sobrepeso e obesidade?

Câncer e obesidade são duas das principais epidemias globais da atualidade. Quando se encontram num mesmo indivíduo, os efeitos são nocivos: a obesidade é o segundo maior fator de risco evitável para o câncer, perdendo apenas para o tabagismo, e a mortalidade da doença é maior entre essa população.

A fama atribuída aos norte-americanos está chegando ao Brasil. Pela primeira vez, mais da metade da população adulta (51%) está acima do peso e fração equivalente a 17% está obesa. O alerta vale também para a cidade do Rio de Janeiro, que registra índices acima da média nacional: 52% e 19% respectivamente. Os dados, divulgados pelo Ministério da Saúde, são da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2012.

gordos

No decorrer dos anos, uma em cada dez mulheres vai desenvolver um câncer de mama. Os cuidados com a saúde devem ser redobrados mesmo após o tratamento, especialmente para evitar o ganho de peso. Isso porque, de acordo com um estudo publicado no periódico Cancer, estar acima do peso aumenta o risco de recorrência do problema.

Uma equipe liderada por um especialista da Montefiore Einstein Center for Cancer Care, nos Estados Unidos, colheu dados de quase cinco mil mulheres que haviam sido submetidas ao tratamento de câncer de mama nos estágios I, II e III. Cerca de 30% delas tinham obesidade e outros 30% estavam com sobrepeso. Nos oito anos seguintes, uma em quatro participantes da pesquisa tiveram recorrência do problema e 891 morreram, sendo 695 dos casos pelo câncer de mama.

A comparação dos resultados mostrou que, em relação às mulheres com peso normal, mulheres com obesidade tinham um risco 40% maior de serem diagnosticadas com um novo câncer de mama e 69% maior de ir a óbito pelo problema ou outras complicações. Mesmo entre as mulheres com sobrepeso houve um risco maior de recorrência e morte. A ligação foi especialmente forte para mulheres com um tipo de câncer receptor de estrogênio positivo, que responde por dois terços dos casos de câncer de mama.
Os pesquisadores querem, agora, esclarecer a relação entre o excesso de peso e os hormônios. Eles desconfiam que a gordura possa estimular a produção de estrógeno no corpo, o que levaria ao crescimento do câncer. Além disso, os níveis de insulina em pessoas acima do peso também são maiores porque eles desenvolvem resistência a esse hormônio e a insulina pode favorecer o desenvolvimento de células cancerosas.
Espero que decida entrar para o “Protocolo Mandruva” e para o “projeto garota fitness”, na busca de um peso saudável e fazendo piada para descontrair.

Fontes:

http://www.cancer.org.br/noticia/949/brasileiros-com-quilos-a-mais

http://www.minhavida.com.br/saude/materias/15555-sobrepeso-aumenta-risco-de-recorrencia-do-cancer-de-mama

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