Unpack your heart

Estava eu cantando e vendo o clipe de unpack your heart, do lindo e fofo Phillip Phillips quando me dei conta do quanto aquela música poderia representar o amparo dos amigos e da família que tive e tenho. Acabei me lembrando de algo.

Fui jantar com uma amiga bem na época que fecharam meu diagnóstico e ela me disse algo precioso naquela noite, que fui perceber que era verdade durante o tratamento. Ela me disse para estar preparada para o afastamento de muitas pessoas quando soubessem que eu estava doente, em especial, durante o tratamento. No momento, não achei que aquilo fosse se concretizar, porque eu nunca fui do tipo de pessoa que abandona alguém na dificuldade, então achava que ninguém era. (sabe de nada, inocente!)

As reações a minha volta foram diversas, umas agradáveis, carinhosas e outras sufocantes, sem noção e o mais recorrente: ligações e recados que na realidade poderiam ser substituídos por “te mando esse recado para aliviar a minha consciência”.

Ahh jovens, ter câncer é dose ATÉ por isso, ter que escutar cada bizarisse… mas uma coisa é certa: PASSA! E melhor que só passar é que você aprende a lidar com isso e, no meu caso, aprender que você não é Jesus, Chico ou Madre Teresa, e não consegue relevar, perdoar e não tem tanta paciência como eles. Sem violência ou grosseria, é necessário agir e mostrar que a vida é sua e NINGUÉM pode te dizer como deve ser sua relação com a doença.

O último ano foi pedreira, muitos saíram da minha vida na velocidade da luz. Alguns que deveriam ter vazado antes e outros que não sei se não davam conta de conviver com alguém doente,  se não conseguiam conviver com a minha aparência, se tinham medo, insegurança ou que não ligavam para mim mesmo. Todavia, quantos serzinhos especiais não me abandonaram! Minhas amigas de longa data que me visitaram na quimioterapia, na minha casa, que provaram lenços e turbantes comigo, que me incentivavam a parar de passar calor e assumir a careca (essa história é boa, conto depois), me ouviram chorar, ter crise de ansiedade, xingar a vida e etc. Os amigos e namorados das meninas foram demais também, eles também provaram todos os lenços e cheguei a ganhar um lindo lá da Turquia! Minha família próxima esteve ao meu lado o tempo todo! Meus tios do exterior e de outros estados vieram me ver! E os amigos dos meus pais sempre os amparando e dando suporte!

Essas pessoas que estavam ao nosso lado, SEMPRE estiveram ali na saúde, na doença não ia ser diferente. Muitos só apareciam quando eu estava na UTI, com infecção, no hospital e o mais bizarro de tudo, queriam me visitar em épocas que minhas plaquetas estavam em 86 e meus leucócitos 900!

Claro que toda regra tem exceção. Um pessoal lá de “Sumpaulo” que apareceu na época da minha segunda cirurgia, bem no dia do meu aniversário, foram os anjos de todo o meu tratamento. Família que estava distante pelas circunstâncias da vida, me receberam em seu lar com uma bomba dessa! Mas como lá não tem tempo ruim, mesmo recém operada pela terceira vez, sabendo que eu tinha um câncer 3 A, metástase e uma quimio pela frente, fomos comprar um óculos de grau novo para dar uma cor na futura cara de minhoca que eu ia ter, atravessamos SP para comer no bar aonde surgiu o bauru e até me colocaram em um carinho elétrico do Sam’s club para eu poder acompanhar nas compras. Uma diversão só!

Por fim minha gente, acho muito difícil que quem esteja com você na doença saia da sua vida algum dia.

Para quem ainda não viu ou ouviu:

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