Me, myself and a cancer: Episode 1

A experiência do câncer de outra pessoa me ajudou a lidar com o meu, espero que essa corrente continue… com vocês a minha história.

Fui relapsa e isso precisa ficar claro. Espero que nunca sejam relapsos com sua saúde. Fiquei um ano sem ir a minha gineco. 21 anos nas costas na época e uma cagada dessa. Isso foi o suficiente para o câncer se manifestar na surdina. Eu não tinha NENHUM sintoma, NENHUMA dor, resumindo, NADA fora do normal. Lembro que decidi ir porque a minha menstruação, que era sempre desregulada, estava me incomodando. Isso ocorreu no final do mês do junho de 2013. Minha gineco não poderia me atender então fui em outra que ouviu minhas queixas e pediu exames de rotina, ultra-som e de sangue.

Marquei com tempo de sobra, saca a imbecil. Acordei bonita e formosa e fui fazer o ultra-som. No meio da budega escuto: “Está vendo aquilo ali?!, meu deus é enorme” Olhei na tela do ultrassom e fiquei procurando alguma coisa, mas vamos combinar que não dá para ver nada naqueles borrões. Perguntei o que era e o médico disse: “você tem algo de 11,62 cm no seu ovário esquerdo”. Muitas pessoas teriam surtado na hora, eu, entretanto nem liguei. Não me perguntem como algo dessa magnitude passou como “normal” para mim naquele momento. Acho que na época estava apaixonada, e isso costumava me deixar idiota.

Voltei uns 15 dias depois na gineco alegre e sorridente. Quando a mulher abriu o exame arregalou os olhos e fez uma cara de bem preocupada., e eu não entendendo o que estava acontecendo. Ela virou para mim e me disse que eu tinha uma laranja no ovário quase e me questinou se eu tinha alguma dor ou aumento do volume abdominal. Expliquei, fazendo piada, que eu não era magra para notar se o “panceps” tinha aumentado a ponto de eu notar. Ela então pediu para esperar a menstruação que ia acontecer nos próximos dias, torcendo para esse suposto cisto ser eliminado pelo organismo, daí repetiríamos o ultra-som para ver como ficou.

No ultra-som 2 a laranja ainda estava lá. Naquele hora comecei a achar que algo não estava muito certo. Ela disse que teria que operar e retirar esse cisto.

Por não conhecer a médica com profundidade decidi procurar um medico mais experiente na área de ginecologia. Consultei com um ginecologista super conhecido da minha cidade, professor da universidade e etc. Ele me perguntou o que estava acontecendo, conseguiu sentir o cisto em exame de consultório mesmo e já me agendou a retirada do cisto na semana seguinte. Assim mesmo minha gente, sem um exame de sangue pré operatório ou qualquer outro procedimento, mas não sou médica e não entendo bulhufas de biologia/anatomia/medicina e fui na onda do Dr.

Comprei até roupinha para usar no hospital. Cheguei lá arrumadinha, de esmalte dourado (não sabia que esmalte atrapalha o oxímetro), pronta para tirar aquele cisto e depois partir para uma viagem que tinha marcada.

Com o horário da cirurgia se aproximando fui ficando tensa. O procedimento era por videolaparoscopia, que não é tão invasivo, mas bateu um medinho antes da cirurgia, ainda mais quando me deram aquele pré anestésico e ele não fez cócegas em mim, já estava achando que a anestesia não ia funcionar e que eu ia sentir dor e bla bla bla… aquela pira que entramos em momentos de tensão.

Entrei no centro cirúrgico rindo com a equipe de enfermagem, que me mostraram o centro cirúrgico, os equipamentos…. na verdade eles estavam me entretendo até a anestesia fazer efeito. Mil anos depois apaguei. Mal sabia eu que minha vida ia mudar por completo dentro daquele centro cirúrgico.

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