Aiiii sabe aquela musica lá, aquela que fala “vamos nos permitirrrrr”

Primeiro de tudo: compartilho da comunidade: “conte seus problemas para um psicólogo, não para internet”, mas enquanto ser humano temos ideias e surtos que são altamente ricos para outras pessoas. QUEM NUNCA leu um post indignado de alguém no facebook e pensou “o cabra conseguiu colocar em palavras uma indignação que também tenho, mas nunca consegui organizar assim”. Pois bem, necessidade de prestar conta a estranhos a parte, compartilho um “surto” que ainda está em processo. Se não for de utilidade para você, desconsidere.

It is the first time that I feel angry, ou melhor, no bom português, eu nunca estive tão furiosa assim. As pessoas ficam bravas, nervosas e furiosas com o mundo e com o câncer geralmente quando descobrem que estão doentes, comigo foi diferente. Só agora, após mais de um ano de diagnóstico, quimio feita, doença controlada é que me PERMITI sentir assim. O câncer me trouxe a menopausa e um edema que vem sendo desafios hercúleos. Ganho de peso descontrolado, uma espécie de TPM constante, acúmulo de líquido monumental, um “chora-ri” até porque fui fazer arroz e ele não ficou no meu padrão de qualidade.

Com todos os elementos de uma tragicomédia, a minha vida foi de “a vida é bela” a “life sucks” rapidinho quando me dei conta da cagada que estava fazendo comigo mesma.

Nunca fiquei brava assim por mais de 5 minutos, porque a repressão dos sentimentos e desejos é tão grande na vida que ficar brava não pode, ser alegre demais é tristeza mascarada, se não chora é porque guarda tudo, se chora é depressão, ficar triste é um pecado, ainda sofrer/ficar puta por amores e amizades antigas é demonstrar que não amadureceu emocionalmente (e deus me livre alguém descobrir isso né –”) ser contra ideias da maioria é estar obsediado… E no fim você fica: WHAT THE FUCK IS HAPPENING? WHAT’S WRONG WITH PEOPLE? HOW SHOULD I FEEL ABOUT THIS? E quase, inevitavelmente, seguimos uma convenção e não o coração.

É triste a condição que nos encontramos. Um bando de gente que se engana e engana a todos achando que isso é felicidade, evolução, melhora moral…

Aonde foi que perdemos a ponta dessa linha?

Ficamos cheios de perguntas do tipo: mas o que sentir então? O que querem de nós? O que queremos para nós?

E descemos o escorregador da tolice colocando a culpa na sociedade capitalista e religiosa, quando na verdade apesar da influência monumental das instituições religiosas e sociais, não são essas instituições que entram no seu íntimo pegam uma ideia ou sentimento e socam num canto para não dar trabalho ou para você parecer como habitante de planeta de regeneração.

Guardamos esses resquícios de sentimentos no coração que vão ocupando espaço lá dentro, como se fossem as famosas gotas que enchem um copo que transborda.

Não sou da área de psicologia, mas me parece que nossas depressões, ansiedades, crises de pânico, além de questões químicas do corpo, são por essa falta de permissão para sentir.

Criamos um outro “self” dentro da gente que foi influenciado pela sociedade, família, amigos, religião, mídia e etc. que controla o que sentir. Então, diante de uma atitude de pseudo-amor e pseudo-sinceridade (como fica o novo acordo ortografico com esse “pseudo, mesmo?) alguém simplesmente destrói, pisa, arrebenta, explode, bombardeia o nosso coração e nós, os pseudos bons samaritanos, começamos a sentir aquela avalanche de sentimentos, mas que do mesmo jeito que vem dentro de nós algo pega tudo aquilo e conduz, sem qualquer resolução, para a caixinha do “busquemos a elevação de nós mesmos, vamos perdoar esse irmão”. WHAT?!

Não, pera aÍ, alguém me indica AONDE e QUANDO repressão é evolução, perdão, paciência e etc.?

What’s wrong with us? We just took great ADVICE and created RULES!

Tirando os conflitos de céu e inferno, que acho que já passamos há séculos (ou não né!), transformamos ATÉ a vida moral em convenção social. Quebramos o agir com o coração in a million pieces. Padronizamos o amar, o evangelizar, o palestrar, o sentir, enfim padronizamos a vida. AI QUE TRISTEZA de perceber isso.

 …

Reforçada pelo meu humor “menopáusico”, a minha visão de tudo muda então. E não que essa constatação importe a mais alguém do que eu no mundo, mas as reflexões estão aí, publicamente, para você que talvez  acabou de perceber tudo isso também.

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